"No sertão, ao cair da noite, todos tratam de dormir como os passarinhos. As trevas e o silêncio são sagrados ao sono, que é o silêncio da alma.
Só o homem nas grandes cidades, o tigre na floresta, o mocho nas ruínas, as estrelas no céu, e o gênio na solidão do gabinete, costumam velar nessas horas que a natureza consagra ao sono.
Entretanto, eu e os meus companheiros, sem pertencermos a nenhuma dessas classes, por uma exceção de regra estávamos acordados a essas horas.
Meus companheiros eram bons e robustos caboclos, dessa raça semi-selvática e nômade, de origem dúbia entre o indígena e o africano, que vagueia pelas infindas florestas que correm ao longo do Parnaíba, e cujos nomes, decerto, não se acham inscritos nos assentos das freguesias, e nem figuram nas estatísticas que dão ao Império...não sei quantos milhões de habitantes."
(As reticências, os três pontinhos após a palavra Império, são originais do autor).


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